Anemia por deficiência de Ferro (FERROPRIVA)

ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE FERRO (FERROPRIVA)

A anemia é uma doença crônica com mais frequência no mundo e atinge mais crianças abaixo de dois anos de idade e mulheres. Entre as diversas anemias existentes, temos a anemia ferropriva, que possui maior ocorrência nas pessoas. Abaixo iremos entender um pouco sobre ela.

A anemia ferropriva é caracterizada pela deficiência de ferro no organismo, como consequência ocorre a diminuição da produção e teor dos glóbulos vermelhos. O ferro é essencial para a produção das hemácias, sendo um componente do heme, uma parte da hemoglobina, que é a proteína das hemácias que transporta o oxigênio no corpo. A hemoglobina, como já foi citado, é responsável pelo transporte de oxigênio para todos os tecidos do corpo, sua diminuição gera consequências danosas. Há reservas de ferro no organismo, quando essa reserva esgota esse nível diminui, causando a anemia. Estima-se que 90% das anemias sejam causadas pela carência de ferro, sendo a causa mais comum.

SINAIS E SINTOMAS DE ANEMIA FERROPRIVA

Os sintomas mais comuns incluem sensação de cansaço, fadiga e falta de energia. Além disso, devido à carência de ferro, podem ocorrer sinais como, unhas quebradiças ou em forma de colher, língua inchada ou dolorida, rachaduras e úlceras nos cantos da boca e vontade de comer substâncias não alimentares, como gelo ou terra.

Alguns fatores que causam a deficiência de ferro:

  • Sangramento: Quando o sangramento ocorre em excesso ou durar um tempo, pode ocorrer a falta de ferro no organismo. Após a menopausa o sangramento pode ser consequência de doenças intestinais, como úlceras ou câncer, o mesmo para os homens.
  • Deficiência dietética: A ingestão insuficiente de ferro na dieta pode causar a deficiência de ferro. Mulheres grávidas ou que amamentam e crianças possuem maior risco. As grávidas ou as que estão amamentando desenvolvem essa deficiência com frequência porque o bebê precisa de grande quantidade de ferro para crescer. A carência pode resultar em baixo peso ao nascer ou em prematuridade. Para evitar essas complicações, as mulheres grávidas devem tomar suplementos de ferro como rotina. Recém-nascidos amamentados por mães com deficiência de ferro também podem desenvolver anemia.
  • Má absorção de ferro:  Algumas doenças prejudicam a absorção de ferro no intestino, podendo causar anemia. É o que ocorre, por exemplo, na doença celíaca e na doença de Crohn.

COMO É DIAGNOSTICADA A ANEMIA FERROPRIVA?

O exame inicial para o diagnóstico da anemia é o hemograma (série vermelha) e os resultados podem confirmar a suspeita. No hemograma será analisada as características das células vermelhas do sangue, as hemácias. Como:

Os níveis de hemoglobina no sangue: Podem estar normais no início da doença, mas podem diminuir com a piora dela. A hemoglobina é um dos componentes das hemácias e é responsável pelo transporte de oxigênio. 

Hematócrito: Representa a porcentagem do volume ocupado pelas hemácias no volume total de sangue. Níveis abaixo dos valores de referência indicam uma possível anemia. Os valores são: Feminino (36.0 a 47.0) % – Masculino (40.0 a 54.0) %.

Índices hematimétricos: Será analisado as características morfológicas das células sanguíneas. Estão incluso neste item:

VCM ou Volume Corpuscular Médio: O valor normal do VCM é entre 80 e 100 fl, podendo variar de acordo com o laboratório, ele mede o tamanho das hemácias, elas podem aumentar (macrocíticas) em alguns tipos de anemia. Quando o tamanho está diminuído, pode ser por deficiência de ferro ou origem genética como a Talassemia, neste caso as hemácias são denominadas microcíticas.

HCM ou Hemoglobina Corpuscular Média: O valor de referência é de 27.0 a 33.0 pg e indica a quantidade média de hemoglobina (hb) presente nas hemácias e irá indicando coloração delas. Somente analisando o HCM não é possível diagnosticar algum problema, é preciso olhar o exame como um todo, mas podemos encontrar valores baixos em anemia ferropriva, sendo assim, as hemácias são hipocrômicas. 

CHCM (concentração da hemoglobina corpuscular média): Como o nome já diz, ele irá analisar a concentração da hemoglobina na hemácia, normalmente quando baixo, ambos podem indicar uma anemia ferropriva. Valor de referência é de 32.0 a 37.0 g/dL.

RDW (Amplitude de distribuição dos glóbulos vermelhos): ele indica a variação do tamanho das hemácias, não irá indicar o tamanho como o CVM E sim a variação desse tamanho. Seu valor de referência é de 11.0 a 16.5 %. Em casos de anemia ferropriva o índice de variação aumenta.

Além do hemograma também pode ser feito um esfregaço sanguíneo, neste caso o sangue será analisado por meio de um microscópio. Será mostrado o tamanho e a cor das hemácias, Na anemia as hemácias estão diminuídas (microcítica) e com pouca cor (hipocrômica) e que variam de tamanho (anisocitose) e forma (poiquilocitose).

Vale ressaltar que há vários tipos de anemia, então caso for anemia ferropriva o médico também pode pedir outros exames para a sua confirmação, como:

  • Ferro sérico: Indica o nível de ferro no sangue. Em geral, está baixo.
  • Ferritina: Reflete a quantidade de reserva de ferro do corpo e, em geral, na anemia ela se encontra baixo (<30mcg%). É considerado o exame mais específico para identificar anemia por deficiência de ferro, a não ser que haja infecção ou inflamação.
  • Capacidade de ligação do ferro (TIBC): Este exame irá avaliar a quantidade de proteínas plasmáticas (transferrina) capazes de se ligar ao ferro e transportá-lo no fluxo circulatório, em caso de anemia por deficiência de ferro essa capacidade se encontra alta. A transferrina é a proteína plasmática responsável pelo transporte de ferro.
  • Índice de saturação de transferrina: O índice de saturação da transferrina serve para avaliar se há deficiência ou sobrecarga de ferro no organismo e é muito importante para o diagnóstico de anemia ferropriva e de outras doenças. Essa saturação é calculada usando os resultados do ferro e da capacidade total de transporte, e representa a percentagem da transferrina saturada com ferro.
  • Protoporfirina Eritrocitária Livre: Este exame mede o nível de zinco protoporfirina (ZPP) no sangue. A ZPP pode aumentar em indivíduos com deficiência de ferro, normalmente a ZPP está normalmente presente nos glóbulos vermelhos, em pequenas quantidades.
  • Contagem de reticulócitos: Esse exame é normalmente solicitado junto com o hemograma e irá avaliar a resposta da medula óssea nos casos de anemia. Nas situações decorrentes da deficiência de ferro os valores de reticulócitos se situam abaixo da normalidade, indicando produção deficiente de eritrócitos.

Quando a suspeita de que a deficiência de ferro é provocada por sangramento, como o gastrointestinal crônico, podem ser feitos outros exames, como:

Pesquisa de sangue oculto nas fezes: como o nome já diz, esse exame irá verificar se há a existência de sangue nas fezes. Esses sangue pode ser ocasionado por diversos fatores.

Se o resultado for positivo ou se houver uma forte suspeita de sangramento intestinal, podem ser feitas uma endoscopia digestiva alta ou uma colonoscopia para determinar a localização do sangramento e orientar o tratamento.

QUAL O TRATAMENTO PARA ANEMIA FERROPRIVA?

A anemia ferropriva é tratada com a suplementação de ferro. Entretanto, quando há suspeita de perda sanguínea anormal que possa estar causando essa anemia, devem ser feitos outros exames para determinar a causa do sangramento. Quando esta é encontrada e tratada, a anemia geralmente desaparece. Não se deve fazer nenhum tratamento sem consultar um médico.